Sobre Igatu e a Gruta Brejo-Verruga

Imagine viver em um vilarejo com menos de 400 habitantes, no sul da Chapada Diamantina. Imagine também conhecer um senhor de mais de 80 anos, ex-garimpeiro, que há sete anos trabalha na reabertura de uma gruta fechada em 1950. Essa é a história de Seu Diga, morador de Igatu, contada pelo projeto “Igatu - Caminhos de Pedras“.

ruínas

 

Igatu é um povoado de Andaraí, localizado no sul da Chapada Diamantina, Bahia. Hoje com um pouco mais de 350 habitantes, o vilarejo já abrigou mais de 5 mil pessoas (algumas fontes de pesquisa citam 9 mil moradores!) durante o auge do ciclo do diamante, no século XIX. Na época chamada de Xique-Xique, Igatu, logo testemunhou o declínio da economia e seu conseqüente esvaziamento. Toda construída em pedras, a vila foi aos poucos abandonada por seus moradores e se transformando em ruínas devido às últimas tentativas dos garimpeiros de encontrarem diamantes - o que lhe rendeu o apelido de “cidade-fantasma”.

Uma das minas mais produtivas de Igatu era a gruta Brejo-Verruga, aberta por garimpeiros na década de 1940, mas fechada na década seguinte, por causa de uma briga entre os gerentes e o dono da terra. As entradas foram interditaram, o local, inundado e o subsolo do garimpo desabou. No fim da década de 1990, um grupo composto por quatro homens resolveu abrir o caminho novamente. O trabalho é liderado por Edgar (Seu Diga), um senhor de mais de 80 anos que foi garimpeiro da gruta quando jovem. Seu Diga, Denis, Badega e Renilton desejam transformar o antigo local de exploração em atrativo ecoturístico da região. Há uma distância de 486m entre a entrada (Brejo) e a saída (Verruga) e o grupo já desobstruiu aproximadamente 450 metros. Atualmente, pode-se visitar “a trilha do garimpo” e mergulhar no poço, o brejo de águas verdes que se estende por debaixo da pedra. Depois de concluída a abertura do Verruga, os turistas poderão conhecer todo o caminho.

Segundo os autores da empreitada, não há nenhum tipo de apoio ou auxílio financeiro do governo local e de empresas particulares. Seu Diga é o personagem que mais chama a atenção, por ter trabalhado na gruta em sua época áurea. Ele acredita que o projeto trará benefícios à economia do vilarejo ao estimular o turismo.

Como nasceu o projeto “Igatu - Caminhos de Pedras

Este trabalho foi desenvolvido por quatro estudantes da Faculdade de Comunicação Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ (Bernardo Abreu, Daniella Guedes, Mariana Campos e Tainá Del Negri), sob a orientação do Professor Ricardo Ferreira Freitas. A elaboração do projeto teve início em novembro de 2005, durante o curso de Assessoria de Imprensa. Leia os depoimentos dos envolvidos no projeto.Todo o material produzido pela equipe (documentário, exposição fotográfica, reportagens e palestras) tem como objetivo manter viva a história de Igatu e do grupo de homens do Brejo-Verruga. Pretende-se, sobretudo, divulgar a busca da realização de um sonho.

Seu Diga

Veja o documentário (video, 25min).