Re-vista
11/4] Uma câmera na mão…
[Zaira Brilhante]
Uma câmera na mão e uma idéia na cabeça. O lema é velho, mas se a idéia for boa, vale a pena. E a idéia do professor de Comunicação Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Ricardo Freitas, foi ótima. Tão bacana que quatro de seus alunos do curso de Assessoria de Imprensa toparam fazer um documentário a partir dela.
O roteiro? A história da tentativa de reabrir uma gruta fechada desde 1950. O cenário? O vilarejo de Igatu, com 354 moradores, ao sul da Chapada Diamantina, estado da Bahia. O protagonista? Um ex-garimpeiro de 79 anos, de nome Edgar, mas pode chamar de Seu Diga.
O objetivo dos jovens ao comprarem essa idéia era ajudar a divulgar o trabalho do grupo que hoje, liderado por seu Diga, tenta transformar o antigo local de exploração em atrativo ecoturístico da região. A Gruta Brejo-Verruga (Brejo é o nome da entrada e Verruga da saída) foi aberta pela primeira vez na década de 40, mas uma briga entre sócios interrompeu as atividades. Com as saídas do garimpo bloqueadas, a água acabou por fazer o subsolo, de 486 metros de extensão, desabar.
“Mais de 400 metros já estão desobstruídos”, conta Mariana Campos, uma das alunas que desenvolveu o trabalho. E ela completa: “foi emocionante entrar na gruta. Na primeira vez deu uma certa aflição, mas depois que a gente se acostuma é até gostoso. Agora, tem que ter coragem”.
A estudante, que visitou com a também aluna Tainá Del Negri o vilarejo na última semana para mostrar o resultado do trabalho, fez questão de citar ainda a receptividade com que, mais uma vez, o povo da região os recebeu. “O que testemunhamos foi inesquecível. O retorno, no final das contas, foi pra gente, pois houve uma recepção altamente positiva”, comenta.
Há em Igatu, no entanto, quem não esteja assim tão preocupado com essa história de ecoturismo. Na verdade, a gruta exerce fascínio não só por suas belezas naturais. É possível ouvir entre um ou outro morador histórias sobre diamantes que ainda estariam escondidos por ali. Um imaginário preservado pelos 354 habitantes do vilarejo.
O resultado da visita dos alunos à região será exibido nesta sexta-feira (13/4), na própria Faculdade de Comunicação, e terá presença de todos os envolvidos no projeto. Os alunos Bernardo Abreu, Daniella Guedes, Mariana Campos e Tainá Del Negri junto ao professor Ricardo Freitas apresentarão uma exposição de fotografias e o documentário “Igatu – Caminhos de Pedras”. A Faculdade de Comunicação Social fica no 10o andar do prédio da Uerj (Rua São Francisco Xavier, 524 – Maracanã). O evento começa às 18h.
Sobre o vilarejo
Igatu é um povoado de Andaraí, cidade localizada na Chapada Diamantina, Bahia. A população, hoje com 354 habitantes, chegou a abrigar mais de nove mil pessoas durante o auge do ciclo e exploração do diamante. Na época chamada de Xique-Xique, a vila, toda construída em pedras, logo testemunhou o declínio da economia e seu conseqüente esvaziamento. Abandonado, o vilarejo foi aos poucos se transformando em ruínas – o que lhe rendeu o apelido de “cidade-fantasma” – devido às últimas tentativas dos garimpeiros de encontrarem diamantes.
Hoje, a economia de Igatu é sustentada pelo turismo. Grutas, cachoeiras e cursos d’água, picos e vales fazem parte do cenário local e de toda a Chapada Diamantina, o que atrai turistas do mundo inteiro e inspira o trabalho dos guias da região.
Fotos: Tainá Del Negri