January 14, 2008

Re-vista

Categories: clipping

11/4] Entrevista: Bernardo Abreu - jornalista
[Zaira Brilhante]
zaira.brilhante@re-vista.info

Aluno do 8o período de jornalismo da Faculdade de Comunicação Social da Uerj, Bernardo Abreu é um dos produtores do documentário “Igatu – Caminhos de Pedras”.

Re-vista!: Como você define essa experiência?
Sabe aquele chavão de “mundo paralelo”? Igatu é a melhor materialização dessa idéia. Conhecer a vila, os habitantes e, sobretudo, seus valores e modo de vida, foi uma experiência única. A energia do bem que permeia o ar de Igatu é revigorante. A religiosidade e a mística que impregnam cada ruína e cada terreno abandonado parecem levar o visitante a uma outra dimensão.

Re-vista!: Qual o principal diferencial de Igatu?
A hospitalidade e simpatia dos moradores, que chegam a causar estranheza a quem vive na cidade grande, encantam qualquer pessoa que passa por ali. Ninguém é capaz de sair de Igatu do mesmo modo que entrou. Todos levam algo para si daquele lugar. O vilarejo parece poder desanuviar até a mente mais estressada e mal-humorada.

Re-vista!: O que mais te impressionou durante o tempo em que esteve em Igatu?
A perseverança inabalável de Seu Diga e companhia impressiona. É difícil compreender como alguém pode dedicar 7 anos de sua vida a um trabalho arriscado como aquele, principalmente sem receber nada por isso. Nenhum dos quatro tem como prever se todo esse esforço terá retorno, mas eles prosseguem mesmo assim. Estão lá todos os dias, chova ou faça sol. Só não entram em dia santo, ou quando Seu Diga acorda com mau pressentimento.

Re-vista!: E o trabalho na mina, como foi participar dele?
Foi incrível poder acompanhar o trabalho dentro da mina. Não é todo dia que se vê um senhor de 79 anos quebrando pedras com um martelo e uma estaca, dentro de uma mina estreita e pouco iluminada. Foi muito emocionante. Principalmente porque, por mais que eles sejam super preocupados com a segurança dos turistas e nunca tenham sofrido nenhum acidente lá dentro, é um trabalho perigoso. Um dia, enquanto filmávamos no interior da gruta, o Denis derrubou uma parede de pedras que não estava firme, alguns metros a nossa frente. Foi um estrondo enorme, sentimos até o chão tremer um pouco. Por sorte, conseguimos registrar esse momento no documentário.

Re-vista!: Qual a importância de registrar isso sob a forma de um documentário?
O trabalho que nós realizamos através do projeto foi edificante. Conhecer a história de superação e dedicação desses homens fez a gente se esforçar ainda mais para que o projeto dê certo e renda bons frutos para eles. Conseguir visibilidade e, de preferência, apoio para o trabalho de Seu Diga, Renilton, Badega e Denis é o nosso maior objetivo. Acho que somente se atingirmos esse objetivo vamos sentir que retribuímos à altura todo o carinho e atenção com que eles nos receberam.

No Comments »

No comments yet.

RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

Leave a comment