January 15, 2008

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Igatu, Caminhos de Pedras

Mariana Alves Campos, assessora de imprensa da Emop, ganhou o prêmio Mapinguari no Fest Cine Amazônia 2007 pela reportagem que conta a história da abertura de uma antiga mina de diamantes em um vilarejo na Chapada Diamantina. Confira como ela chegou a Igatu!

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Igatu, Caminhos de Pedras

Por
Vera Ferreira
Núcleo Intranet
Foto: Carlos Magno
Com uma história tão interessante para contar, seria impossível deixar de registrar a façanha dessa jornalista de apenas 24 anos, muitos projetos a realizar e um troféu nas mãos, o Mapinguari, do Fest Cine Amazônia 2007 – Festival de Cinema e Vídeo Ambiental, ganho pela melhor reportagem ambiental da mostra - Igatu, Caminhos de Pedras. Estamos falando de Mariana Alves Campos, formada em Comunicação Social em final de 2006 pela Uerj, assessora de imprensa da Empresa de Obras Públicas (Emop), vinculada à Secretaria de Obras, e apaixonada por meio ambiente.
Para quem está em início de carreira, ela já foi bem longe. Para conquistar o Mapinguari, concorreu com outros dez trabalhos, incluindo nomes de peso.
A história registrada por Mariana e os colegas de empreitada - Bernardo Abreu, Daniella Guedes e Tainá Del Negri - é singular: Igatu, Caminhos de Pedras conta a saga de quatro homens para a reabertura de uma antiga mina de diamantes no vilarejo de Igatu, no município de Andaraí, Chapada Diamantina, Bahia. Liderados pelo ex-garimpeiro Edgar, de 79 anos (completa 80 este mês), conhecido como ’seu’ Diga, o grupo é formado por outros ex-garimpeiros: Denis, Renilton e Badega.
A história pode ser conferida no site www.projetoigatu.org, e foi levada à sala de aula na Uerj pelo professor de Assessoria de Imprensa, Ricardo Ferreira Freitas, ao retornar de uma viagem à Chapada.
Tudo começou há sete anos, quando o grupo resolveu transformar o antigo local de exploração de diamantes em atrativo turístico da região e assim soerguer economicamente a vila.
- ‘Seu’ Diga é o personagem que mais chama a atenção, por ter trabalhado na gruta quando jovem, na época áurea. Ele acredita que o projeto trará benefícios à economia do vilarejo ao estimular o turismo – destacou Mariana.
Como explicado no site, Igatu é um povoado com 354 habitantes. O vilarejo chegou a ter mais de nove mil pessoas durante o auge do ciclo e exploração do diamante, no século XIX. A vila, na época, era chamada de Xique-Xique de Igatu, com casas construídas em pedras.
Iguatu não conta com apoio de ninguém – observou a jornalista. E a esperança do ’seu’ Diga e do grupo que lidera é que o turismo volte a dar vida à pequena localidade.
- Essa mina, a mais produtiva de Igatu, ficava na gruta Brejo-Verruga. Foi aberta em 1941 e fechada em 1950. Durou nove anos. O dono brigou com o gerente, interditou as entradas e inundou o subsolo – resumiu a jornalista.
Antes de descobrirem as jazidas na África do Sul, a Chapada Diamantina era muito valorizada em relação aos diamantes. Hoje, é proibido o uso de dragas. O garimpo só é permitido manualmente.
No Verruga, na saída, andando uma trilha de dez minutos, chega-se a uma cachoeira, com um córrego. É mais um cartão postal no caminho.
Abrir o caminho não foi tão fácil porque tudo é feito à mão.
- Eles passavam três, quatro meses, sem aumentar um metro para frente. Tem sempre o risco de desabamento, como já teve. Gravando lá dentro conseguimos um furo, eles estavam abrindo caminho quando houve um desmoronamento – relembrou.
Entre as duas extremidades da gruta (Brejo é o nome da entrada e Verruga o da saída) há uma distância de 486 metros. Atualmente, pode-se visitar ‘a trilha do garimpo’ e mergulhar no poço, o brejo de águas verdes que se estende por debaixo da pedra. Depois de concluída a abertura do Verruga, os turistas poderão conhecer o caminho completo, como explicou a jornalista.
- Eles vão cobrar uma taxa mínima para manter o espaço. Vai gerar emprego, vai contratar gente, guias, até a própria sobrevivência deles vai ser garantida. Eles ficaram de corpo e alma nesse projeto – destacou.
Quando falta dinheiro para continuar a empreitada, eles vão garimpar na serra da Chapada Diamantina. Saem dois e ficam dois trabalhando na abertura da mina.
- Queremos implementar um projeto de educação ambiental para conscientizar as pessoas do lugarejo. Tem muita coisa para ser feita lá e podemos contribuir com isso. Temos que seguir o princípio da Agenda 21. Quando se trabalha com uma comunidade, é preciso fazer as coisas junto com as pessoas envolvidas no lugar. Tem que ser uma troca. Nós estamos aprendendo muito com eles também – observou Mariana.
Próximo passo:
– Vamos esboçar um projeto para tentar patrocínio e viajar de novo para fazer a cobertura da abertura final do prédio, o Verruga - adiantou.
Além da reportagem, foi gerado um acervo fotográfico. A exposição é itinerante e já foi apresentada na Emop, Uerj, Unicamp (Campinas), além da própria região da mina.
- Sou apaixonada por isso. Escolhi fazer jornalismo para trabalhar com meio ambiente, de preferência fazendo documentários. O prêmio abriu portas para conseguirmos patrocínio novamente para dar continuidade ao projeto, para continuar a gravação na vila. Tem gente curiosa lá. Tem o motorista da escolinha da cidade que sabe todas as capitais do mundo. Tem uma argentina que largou a família para morar lá. Tem uma alemã que trabalha oito meses na Alemanha e passa o restante do ano no lugarejo – disse Mariana, adiantando um pouco da história que está por vir.

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